Puérpera retorna em consulta no 8o dia pós-parto cesárea com queixa de cansaço e mal-estar há 2 dias. Devido à dificuldade nas mamadas, iniciou complementação com fórmula láctea para o recém-nascido há 2 dias. Refere temperatura axilar 38,1 °C. Ao exame físico, regular estado geral, FC de 100 bpm, PA de 90x60 mmHg. Abdome flácido, doloroso à palpação de hipogástrio, útero palpável 2 cm abaixo da cicatriz umbilical. As imagens a seguir referem-se ao exame físico da paciente:

A pegadinha é tratar apenas a mama: febre pós-cesárea com dor uterina e subinvolução sugere endometrite.
Endometrite puerperal é polimicrobiana e pede cobertura endovenosa para aeróbios e anaeróbios.
Ferida limpa não exclui infecção puerperal; útero e mama devem ser examinados sistematicamente.
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Contexto
A puérpera apresenta febre, mal-estar, taquicardia, pressão limítrofe e dor hipogástrica no oitavo dia após cesárea. O útero ainda é palpável próximo à cicatriz umbilical e está doloroso, sugerindo subinvolução e endometrite. A imagem também mostra eritema mamário após redução das mamadas, compatível com estase láctea ou mastite, enquanto a incisão abdominal não apresenta supuração evidente. Assim, há infecção puerperal com repercussão sistêmica, e não simples ingurgitamento mamário.
A endometrite pós-cesárea é geralmente polimicrobiana, envolvendo aeróbios e anaeróbios da flora genital. O tratamento requer antibiótico endovenoso de amplo espectro, classicamente clindamicina associada a gentamicina, com acréscimo de ampicilina se houver suspeita de enterococo ou resposta inadequada. Em mastite grave com instabilidade ou incapacidade de tratamento oral, também se indica terapia parenteral e investigação de abscesso por ultrassonografia quando houver massa flutuante ou falha terapêutica.
A amamentação ou a extração de leite deve ser mantida quando possível, porque o esvaziamento mamário auxilia a resolução da estase. Isso, porém, é medida complementar e não substitui antibiótico diante de febre e repercussão sistêmica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Curetagem não é tratamento inicial de endometrite. Ela é reservada para suspeita demonstrada de restos ovulares ou material intrauterino persistente, após estabilização e avaliação por imagem.
B) Incorreta. Ordenha guiada ajuda na estase láctea e deve acompanhar o manejo mamário, mas não trata a infecção uterina nem a repercussão sistêmica descrita.
C) Correta (gabarito). Febre puerperal após cesárea, dor uterina, subinvolução e sinais sistêmicos exigem antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, além de monitorização e busca do foco.
D) Incorreta. Bloquear a lactação não trata a infecção e pode piorar a estase mamária. A amamentação costuma ser mantida com técnica e esvaziamento adequados, salvo contraindicação específica.