Paciente, sexo masculino, 57 anos de idade, possui antecedente de diabetes melito e gota. Comparece no pronto socorro com queixa de tosse produtiva com expectoração amarelada e febre aferida de 38,6 °C há 5 dias. Ao exame físico, apresentou PA de 132x84 mmHg, FC de 98 bpm, FR de 21 ipm, saturação de oxigênio 94% em ar ambiente; bom estado geral, corado, hidratado, eupneico; aparelho cardíaco sem alterações; murmúrios vesiculares presentes com estertores crepitantes na base esquerda; abdome e extremidades sem alterações relevantes.
O paciente é medicado adequadamente, porém, após 3 dias do término do tratamento, retorna com febre persistente e o seguinte exame clínico: PA de 100x64 mmHg, FC de 121 bpm, FR de 25 ipm, saturação de oxigênio 93% em ar ambiente; regular estado geral, hipocorado, hidratado; aparelho cardíaco sem alterações; murmúrios vesiculares presentes com abolição da ausculta em base esquerda; abdome e extremidades sem alterações relevantes.
Pegadinha: ultrassom confirma líquido, mas empiema depende do aspecto, da bioquímica e da microbiologia do líquido.
Derrame parapneumônico complicado: pus, cultura positiva, pH igual ou inferior a 7,2 ou loculações favorecem drenagem.
Coleção anecoica acima do diafragma é derrame; código de barras no modo M sugere pneumotórax.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Febre persistente após tratamento de pneumonia, taquicardia, piora clínica e abolição do murmúrio vesicular na base indicam acúmulo de líquido pleural, provavelmente derrame parapneumônico. A ultrassonografia é superior à radiografia para confirmar pequeno volume, identificar septações e orientar punção ou drenagem.
A imagem C mostra coleção anecoica acima do diafragma, com pulmão comprimido adjacente, padrão de derrame pleural. O contexto infeccioso define a etiologia provável, mas a imagem sozinha não distingue derrame simples de infecção pleural complicada. Segundo a Diretriz da British Thoracic Society para Doença Pleural de 2023, pus, cultura positiva, pH pleural igual ou inferior a 7,2 ou características complexas relevantes favorecem drenagem torácica, além de antibiótico adequado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A imagem mostra artefatos horizontais de reverberação compatíveis com linhas A em pulmão aerado. Não demonstra uma coleção pleural responsável pela abolição da ausculta.
B) Incorreta. As linhas B verticais que partem da pleura indicam síndrome intersticial, como edema pulmonar ou processo alveolointersticial, e não derrame pleural focal.
C) Correta (gabarito). A área anecoica entre pulmão e diafragma corresponde a líquido pleural, achado que explica a abolição do murmúrio e, após pneumonia, sugere derrame parapneumônico ou empiema.
D) Incorreta. O modo M apresenta padrão de estratosfera ou código de barras, associado à ausência de deslizamento pleural no pneumotórax. Pneumotórax não é a complicação mais provável de febre persistente pós-pneumonia.