Homem, 64 anos de idade, tentou suicídio com ferimento por arma branca no tórax. No atendimento inicial, o paciente encontrava-se com a faca introduzida na parede anterior do tórax, bastante agitado e com PA de 140x90 mmHg e FC de 110 bpm. Devido à agitação, optou-se pela intubação para transporte. Na admissão no Centro de Trauma encontrava-se: A: Intubado. Saturação de oxigênio de 97%. B: MV presentes e sem alterações. Inspeção torácica demonstrada na figura a seguir. C: PA de 130x80 mmHg; FC de 110 bpm; e-FAST negativo. D: Sedado com pupilas mióticas. Escala de coma de Glasgow 3. E: Sem outros achados além da lesão torácica.

Pegadinha: objeto empalado pode estar controlando o sangramento; nunca o retire às cegas.
Trauma penetrante estável permite angiotomografia para planejamento.
e-FAST negativo não exclui lesões mediastinais ou vasculares contidas.
O objeto deve ser estabilizado externamente até a retirada em ambiente controlado.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A fotografia mostra objeto empalado na região anterior do tórax, próximo ao estreito torácico e a estruturas vasculares e mediastinais. O paciente está intubado, oxigenado, hemodinamicamente estável, com murmúrios presentes e e-FAST negativo. O objeto pode estar tamponando uma lesão vascular, portanto não deve ser retirado no pronto-socorro.
As diretrizes WSES-AAST de trauma torácico de 2025 recomendam tomografia contrastada em pacientes estáveis com trauma penetrante para definir trajeto e extensão das lesões. Neste caso, a angiotomografia de tórax e, conforme o trajeto, de pescoço, permite avaliar grandes vasos, coração, via aérea, esôfago, pulmões e diafragma, além de planejar retirada controlada no centro cirúrgico.
e-FAST negativo reduz a probabilidade de hemopericárdio ou hemotórax volumoso, mas não exclui lesão mediastinal, vascular contida ou perfuração esofágica. Toracotomia ou janela pericárdica ficam reservadas a instabilidade, tamponamento, sangramento significativo ou suspeita que não possa ser esclarecida por imagem.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Retirar a faca sem controle visual e vascular pode desfazer o tamponamento e precipitar hemorragia fatal. A retirada deve ocorrer em ambiente cirúrgico preparado.
B) Correta (gabarito). A estabilidade permite tomografia contrastada para mapear o trajeto e identificar lesões ocultas antes da exploração e remoção planejada.
C) Incorreta. Toracotomia imediata é indicada em instabilidade, hemorragia maciça, tamponamento ou deterioração. Não é o próximo passo em paciente estável e sem achados positivos no e-FAST.
D) Incorreta. Janela pericárdica é útil quando persiste dúvida sobre lesão cardíaca ou hemopericárdio, mas não precede a tomografia em paciente estável com e-FAST negativo.