Síndrome nefrótica na infância

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 113
USP-SP · 2025

Paciente, 6 anos de idade, com antecedente de síndrome nefrótica corticodependente, iniciou quadro de urina espumosa, edema periorbital e escrotal, lipotimia e derrame pleural após episódio de resfriado comum. Foi indicada a internação para controle da descompensação e indicada infusão de albumina. Evoluiu após 48 horas de internação com queixa de dor abdominal intensa, pior à palpação, com descompressão brusca positiva.

Qual processo fisiopatológico está relacionado à complicação apresentada pelo paciente?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A recaída da síndrome nefrótica produz proteinúria maciça, albumina de 1,5 g/dL e edema com ascite e derrame pleural. A dor abdominal intensa com descompressão brusca positiva indica peritonite bacteriana espontânea, uma das infecções graves mais características da síndrome nefrótica infantil. O pneumococo é o agente clássico, embora bactérias gram-negativas também possam estar envolvidas.

As Recomendações IPNA para síndrome nefrótica cortico-sensível, publicadas em 2023, explicam que a perda urinária de IgG e de componentes do complemento reduz a opsonização e a defesa contra bactérias encapsuladas. A ascite fornece meio para proliferação bacteriana, e o uso de corticoide ou outros imunossupressores amplia o risco. Na suspeita, deve-se iniciar rapidamente antibiótico endovenoso com cobertura para Streptococcus pneumoniae e considerar paracentese diagnóstica.

A síndrome nefrótica também causa hipercoagulabilidade pela perda urinária de antitrombina III e proteínas C e S, mas esse mecanismo explica trombose venosa, embolia pulmonar ou trombose de veia renal, não a peritonite apresentada. A hemoconcentração, a creatinina elevada e a hiponatremia também sugerem redução do volume circulante efetivo, fator que exige cautela na reposição e na infusão de albumina.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). A perda urinária de imunoglobulinas e fatores do complemento reduz a opsonização de bactérias encapsuladas, predispondo a peritonite bacteriana espontânea, especialmente por pneumococo.

B) Incorreta. A pressão oncótica plasmática está reduzida, não aumentada. A viscosidade pode elevar-se por hemoconcentração e contribuir para trombose, mas não é o mecanismo principal da peritonite.

C) Incorreta. Infusão excessiva ou rápida de albumina pode precipitar sobrecarga circulatória e edema pulmonar. Ela não explica peritonismo e infecção peritoneal 48 horas depois.

D) Incorreta. A perda de proteínas anticoagulantes e antitrombina III produz estado hipercoagulável. Essa alternativa seria correta para trombose, mas não para peritonite bacteriana espontânea.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é escolher hipercoagulabilidade para toda dor abdominal: ascite com peritonismo na síndrome nefrótica sugere peritonite pneumocócica.

  • Perda de IgG e complemento reduz opsonização e favorece infecção por bactérias encapsuladas.

  • Perda de antitrombina III e proteínas C e S explica trombose, uma complicação diferente.

  • Suspeita de peritonite exige antibiótico endovenoso imediato e avaliação do líquido ascítico.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Síndrome nefrótica na infância” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →