Mulher, 59 anos de idade, foi submetida a colecistectomia laparoscópica devido a colecistite aguda há 1 dia. Na operação não foi realizada colangiografia intraoperatória e não houve colocação de dreno abdominal. Desde o pós-operatório imediato, apresentou vômitos de repetição sem aceitação da dieta e dor abdominal em tratamento com dipirona e tramadol. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, eupneica, com FC de 95 bpm, PA de 120×70 mmHg, abdome doloroso à palpação profunda, sem sinais de irritação peritoneal.
Pegadinha central: vômito precoce isolado em paciente estável não equivale a complicação cirúrgica.
Opioide é causa comum de náusea pós-operatória: suspenda ou reduza quando possível e trate com antiemético.
Imagem entra quando há sinal de alarme ou falha de evolução, não apenas porque a colangiografia não foi feita.
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Contexto
Náuseas e vômitos no primeiro dia após colecistectomia são frequentes e podem ser provocados por anestésicos, manipulação visceral e opioides. O tramadol é causa reconhecida de náusea e vômito por ação central serotoninérgica e opioide. Nesta paciente, a estabilidade hemodinâmica, a ausência de febre, peritonite, icterícia progressiva e elevação relevante de bilirrubina, fosfatase alcalina, amilase ou lipase tornam menos provável uma complicação biliar, pancreática ou perfurativa naquele momento.
Leucocitose discreta e PCR elevada no pós-operatório imediato podem refletir a resposta inflamatória da própria cirurgia. A conduta inicial deve retirar o fator emetogênico evitável e controlar o sintoma. A ondansetrona, antagonista 5-HT3, é apropriada para vômitos pós-operatórios. Investigação por imagem passa a ser necessária se surgirem dor desproporcional ou progressiva, febre, taquicardia persistente, irritação peritoneal, colestase, queda de hemoglobina ou incapacidade de evolução clínica apesar do tratamento.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Suspender o tramadol é adequado, mas a sonda nasogástrica não é rotina para vômitos isolados. Ela é reservada para distensão importante, íleo, obstrução, risco elevado de aspiração ou vômitos refratários com grande retenção gástrica.
B) Correta (gabarito). A opção trata a hipótese mais provável, retirando o opioide emetogênico e administrando um antiemético eficaz, sem submeter uma paciente estável a exame invasivo ou imagem de baixo rendimento imediato.
C) Incorreta. A tomografia seria pertinente diante de suspeita de coleção, sangramento, perfuração, pancreatite ou outra complicação abdominal. O caso não apresenta sinais clínicos ou laboratoriais que sustentem esse passo como primeira medida.
D) Incorreta. A colangiorressonância é útil para investigar coledocolitíase residual ou lesão da via biliar quando há icterícia, colestase, dilatação ductal ou forte suspeita clínica. Bilirrubina de 1,1 mg/dL e enzimas sem padrão obstrutivo não justificam o exame imediato.