Criança, sexo masculino, 1 mês de vida, previamente hígida, é trazida à unidade de emergência após cair do trocador, há cerca de 30 minutos. Segundo a mãe, ela havia tirado a mão dele por alguns segundos para jogar a fralda no lixo e ele teria rolado e caído do trocador. Na admissão, o paciente estava inconsciente, sendo levado à sala de emergência. A seguir, os dados da avaliação sistematizada: A: pérvia B: murmúrio vesicular e expansibilidade diminuídos, FR de 8 irpm, SpO2 de 89% em ar ambiente; C: tempo de enchimento capilar < 1 segundo, pulsos presentes e simétricos, ausculta com 2BRNF sem sopros, PA de 108×70 mmHg; D: escala de coma de Glasgow 7, pupilas isofotorreagentes; E: hematoma subgaleal em região temporal direita. Foi realizada tomografia de crânio, conforme imagem demonstrada a seguir:

Pegadinha central: compare sempre o mecanismo relatado com o marco motor da criança.
Lactente de 1 mês não rola de uma superfície por habilidade própria.
Notificação é proteção e investigação, não condenação prévia do cuidador.
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Contexto
Um lactente de 1 mês ainda não possui desenvolvimento motor para rolar voluntariamente de uma superfície elevada. A história de que ele rolou do trocador é, portanto, incompatível com a faixa etária. A American Academy of Pediatrics, em seu relatório técnico de 2025 sobre trauma craniano abusivo, cita exatamente a alegação de um lactente de 1 ou 2 meses que teria rolado de cama ou sofá como exemplo de narrativa incompatível com o desenvolvimento.
A tomografia mostra coleção extra-axial em crescente, compatível com hematoma subdural, achado que reforça a gravidade, mas a suspeita não depende de uma imagem isolada. Notificar e acionar a rede de proteção não equivale a declarar culpado um cuidador; significa investigar uma possível violência e proteger a criança. No Brasil, a suspeita de violência contra criança é de notificação compulsória.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A tomografia é preocupante, mas o fundamento mais direto da notificação é a incompatibilidade entre o mecanismo narrado e a capacidade motora do lactente. Um achado radiológico nunca deve ser interpretado sem a história e o desenvolvimento.
B) Incorreta. Hematoma subgaleal temporal merece atenção, porém a localização isolada não explica a decisão tão bem quanto a história de rolamento impossível para a idade.
C) Correta (gabarito). Aos 30 dias de vida, a criança não rola de forma voluntária. A incongruência do relato é sinal de alerta para trauma não acidental e justifica avaliação social e notificação.
D) Incorreta. Existe incongruência maior entre a história e o desenvolvimento, além de trauma craniano grave. Não notificar deixaria de acionar uma medida de proteção obrigatória.