Mulher, 22 anos de idade, procura o pronto-socorro por indisposição. Descreve ter polifagia, poliúria e polidipsia progressivas no último mês, com piora na última semana. Nos últimos dois dias, teve náuseas, alguns vômitos e passou a maior parte do dia sentada por indisposição. Ao exame clínico, apresentou PA de 110×62 mmHg, FC de 106 bpm, FR de 28 irpm, temperatura 36,2 °C, SpO2 de 98%, mucosas secas, vigil, sem sinais de desconforto respiratório, força grau IV nos membros inferiores, sem outras anormalidades. Cetonas detectadas no sangue. Um eletrocardiograma foi realizado e pode ser observado na imagem a seguir:

Pegadinha central: na cetoacidose, insulina pode matar se o potássio já estiver muito baixo.
Ondas U, T achatada e depressão de ST lembram hipocalemia.
Bicarbonato não é rotina; com pH acima de 7,0, hidratação e insulina corrigem a acidose.
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Contexto
A paciente preenche critérios de cetoacidose diabética: glicemia elevada, cetonemia e acidose metabólica com pH de 7,27 e bicarbonato de 12 mEq/L. O pCO2 de 26 mmHg é compatível com compensação respiratória. O eletrocardiograma mostra achatamento de ondas T, depressão do segmento ST e ondas U proeminentes, padrão de hipocalemia.
Na cetoacidose, o estoque corporal de potássio está sempre reduzido, mesmo quando a concentração sérica inicial é normal ou alta. Insulina e correção da acidose deslocam potássio para dentro das células e podem precipitar arritmia. O consenso internacional de crises hiperglicêmicas de 2024 e o Standards of Care da ADA de 2026 orientam iniciar reposição de potássio e adiar insulina quando K é inferior a 3,5 mEq/L, até que ultrapasse esse valor.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Bicarbonato não é recomendado com pH de 7,27. Seu uso fica reservado a acidemia extrema, em geral pH abaixo de 7,0.
B) Incorreta. Insulina é essencial, mas deve ser adiada diante de hipocalemia significativa ou alteração eletrocardiográfica compatível, pois reduziria ainda mais o potássio sérico.
C) Incorreta. Adenosina trata taquicardia supraventricular regular dependente do nó AV. O ritmo é sinusal e as alterações decorrem de distúrbio eletrolítico.
D) Correta (gabarito). Cloreto de potássio é a prioridade imediata para corrigir a hipocalemia e permitir insulinização segura, com monitorização frequente do potássio e do eletrocardiograma.