Em um estudo caso-controle que investiga a associação entre tabagismo e câncer de pulmão, se os controles têm maior probabilidade de subestimar o hábito de fumar devido a viés de resposta socialmente desejável, qual é o efeito mais provável sobre a razão de chances (odds ratio, OR)?
Pegadinha central: controle que esconde exposição faz a associação parecer mais forte.
Erro diferencial depende de ser caso ou controle e pode afastar a medida do nulo.
Monte mentalmente a tabela 2 por 2 para prever a direção do viés.
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Contexto
Em estudo caso-controle, a razão de chances de exposição pode ser escrita como a chance de tabagismo entre casos dividida pela chance de tabagismo entre controles. Se apenas os controles ocultam ou subestimam o tabagismo, parte dos controles expostos é classificada como não exposta. A frequência registrada de exposição no denominador diminui e a odds ratio aumenta artificialmente.
Trata-se de erro de classificação diferencial, porque a qualidade da informação depende do status de caso ou controle. Ao contrário do erro não diferencial binário, que frequentemente atenua associações, o erro diferencial pode deslocar a medida em qualquer direção. Neste enunciado, porém, a direção é conhecida porque a subnotificação ocorre especificamente nos controles.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Menos tabagistas reconhecidos entre os controles aumenta a diferença aparente de exposição entre casos e controles e superestima a OR.
B) Incorreta. A OR diminuiria se a exposição fosse subnotificada principalmente entre os casos ou supernotificada entre os controles.
C) Incorreta. A medida só permaneceria aproximadamente inalterada se o erro não alterasse a proporção relativa de exposição ou ocorresse de forma equivalente nos dois grupos.
D) Incorreta. Embora erros diferenciais não tenham direção universal, o mecanismo descrito permite prever a direção: controles expostos migram para a célula de não expostos e a OR sobe.