Homem, 23 anos de idade, foi vítima de queda da motocicleta há 1 hora. No atendimento pré-hospitalar estava inconsciente, com PA de 110×80 mmHg e FC de 90 bpm. Foi realizada intubação orotraqueal e encaminhamento para centro de trauma. Na admissão, encontrava-se: A: SpO2 de 97%; B: Expansibilidade preservada e ausculta sem alterações; C: PA de120×80 mmHg; FC de 94bpm; FAST positivo no espaço hepatorrenal e esplenorrenal; D: Escala de Coma de Glasgow: 3T (sedado); E: Deformidade na perna direita, sem sangramento. Realizada sondagem vesical com diurese clara. Após o atendimento inicial, foi realizada tomografia de corpo inteiro. Na imagem a seguir, é possível observar a região do abdome com os achados relevantes.

Pegadinha central: estabilidade hemodinâmica não autoriza observar toda lesão mesentérica.
FAST detecta líquido, não identifica a origem do sangramento.
Paciente sedado não oferece exame abdominal seriado confiável, aumentando o peso da tomografia.
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Contexto
A tomografia evidencia líquido livre e lesão vascular no mesentério, com hematoma e alteração dos vasos mesentéricos, sem padrão de laceração hepática como achado dominante. Lesões mesentéricas no trauma fechado podem causar hemorragia, interrupção do suprimento sanguíneo e isquemia intestinal tardia. A presença de extravasamento vascular, defeito mesentérico amplo, devascularização ou lesão intestinal associada constitui indicação de exploração cirúrgica.
Embora o paciente esteja hemodinamicamente estável, o exame abdominal é pouco confiável por sedação e trauma craniano. As diretrizes WSES para lesão intestinal e mesentérica ressaltam que achados tomográficos altamente específicos devem levar à cirurgia, porque a demora aumenta o risco de necrose, perfuração e sepse. Laparotomia permite controle do sangramento, inspeção completa e ressecção ou reparo de alças comprometidas.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A lesão predominante é mesentérica e tem características de gravidade que exigem laparotomia, mesmo com pressão arterial preservada no momento da tomografia.
B) Incorreta. Tratamento não operatório é reservado a achados discretos e inespecíficos em paciente examinável e passível de observação seriada. Não é seguro diante de lesão mesentérica relevante.
C) Incorreta. A imagem não demonstra lesão hepática como foco principal. FAST positivo apenas identifica líquido e não define o órgão lesionado.
D) Incorreta. Lesões hepáticas isoladas em paciente estável frequentemente permitem tratamento não operatório, mas esse não é o padrão tomográfico apresentado.