Mulher, 74 anos de idade, tabagista, tem hipertensão e diabetes. Foi encontrada confusa em casa pela filha, que há 2 dias atrás havia a visto bem. Na admissão no pronto-socorro, encontrava-se afebril, eupneica, com PA de 170×110 mmHg, FC de 102 bpm, glicemia capilar de 145 mg/dL. Ao exame neurológico, apresentou-se vigil, alerta, irritada, afirmando “estou bem, quero ir para casa”. Tinha o olhar desviado para a direita quando distraída, mas conseguia olhar para a esquerda quando instruída pelo examinador. A paciente percebia o dedo do examinador em todos os quadrantes no exame de campos visuais por confrontação. Quando solicitada a ler um texto, começava a partir do meio da página e lia apenas o lado direito das frases repetidamente. Não apresentava fraqueza muscular.
Pegadinha central: negligência não é igual a hemianopsia.
Hemisfério direito presta atenção aos dois lados; hemisfério esquerdo concentra-se mais no lado direito.
Na ressonância axial radiológica, esquerda da tela é direita do paciente.
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Contexto
A paciente ignora sistematicamente o lado esquerdo do espaço, inicia a leitura no meio da página e utiliza apenas a metade direita das frases. O olhar desvia espontaneamente para a direita, mas pode ser direcionado voluntariamente para a esquerda. A confrontação simples dos campos visuais é preservada, o que afasta hemianopsia como explicação única. O quadro é de negligência hemiespacial esquerda.
A negligência resulta mais frequentemente de lesão do hemisfério direito não dominante, sobretudo córtex parietal posterior ou junção temporoparietal. Na convenção radiológica, o lado esquerdo da imagem corresponde ao lado direito do paciente. A imagem A mostra lesão cortical e subcortical posterior no hemisfério direito, compatível com o déficit descrito.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A lesão está no hemisfério direito, em região posterior parietal, localização clássica da negligência do hemiespaço esquerdo.
B) Incorreta. A alteração está predominantemente no hemisfério esquerdo posterior, que se relacionaria mais a déficits de linguagem ou alterações do campo visual direito.
C) Incorreta. O padrão é bilateral e difuso, não uma lesão focal parietal direita capaz de explicar negligência isolada.
D) Incorreta. A imagem mostra atrofia temporal e alterações crônicas, sem lesão focal aguda no hemisfério direito compatível com o início súbito.