Primigesta, 39 anos de idade, é admitida com 40 semanas de gravidez para indução de parto. Apresenta antecedente de hipertensão arterial crônica, controlada atualmente com metildopa 1,5 g por dia e diabetes gestacional em uso de insulina NPH 12 unidades antes do café da manhã, 6 unidades na hora do almoço e 6 unidades às 22 horas (12-6-0-6) e insulina regular 4 unidades no café da manhã, 4 unidades no almoço e 2 no jantar (4-4-2-0). Ao exame inicial, apresenta bom estado geral, corada, normotensa e normocárdica, altura uterina de 38 cm, cefálico, BCF presente de 148 bpm, colo médio, medianizado, com 4 cm.
Após 6 horas de trabalho de parto, a paciente apresentava dilatação total e apresentação cefálica no plano 0 de De Lee, occipito transversa direita e avaliação abdominal conforme a imagem a seguir:

A pegadinha é prescrever ocitocina: anel de Bandl significa obstrução e iminência de rotura, portanto cesariana.
Segmento superior retrai e engrossa; segmento inferior distende e afina até poder romper.
Dilatação total com apresentação ainda alta e rotação persistente reforça parto obstruído.
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Contexto
A imagem mostra uma elevação e retração anormais do segmento uterino superior, delimitadas por um sulco transversal visível no abdome. Trata-se do anel de retração patológico de Bandl, sinal clássico de trabalho de parto obstruído e iminência de rotura uterina.
O mecanismo é a contração e retração progressiva do segmento superior contra uma obstrução, enquanto o segmento inferior se alonga e afina. Dilatação total, cabeça ainda no plano 0 de De Lee e posição occipitotransversa persistente reforçam desproporção ou falha de descida. A continuação das contrações pode romper o segmento inferior e provocar hemorragia, sofrimento fetal e choque materno.
A conduta é interromper uterotônicos, estabilizar a paciente, acionar equipe cirúrgica e realizar cesariana de emergência. Se houver rotura já consumada, a laparotomia deve permitir extração fetal, controle hemorrágico e reparo uterino ou histerectomia conforme extensão e estabilidade.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ocitocina intensificaria a força contra uma obstrução e aumentaria o risco de rotura. Distocia funcional só recebe ocitocina após excluir desproporção e sinais de obstrução mecânica.
B) Incorreta. Retenção urinária produz distensão predominantemente suprapúbica e pode dificultar a descida, mas não explica o sulco transversal elevado e a configuração uterina típica do anel de Bandl.
C) Correta (gabarito). O anel de Bandl indica iminência de rotura em trabalho de parto obstruído. A via de resolução é cesariana imediata, sem tentativa de intensificar o parto vaginal.
D) Incorreta. Hipertonia ou taquissistolia é definida pelo padrão de contrações e pode exigir tocolítico em situações específicas. Ela não explica o sinal anatômico de obstrução e adelgaçamento do segmento inferior mostrado na imagem.