Obesidade e síndrome metabólica

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Questão 93
USP-SP · 2026

Mulher, 23 anos de idade, com 26,7 kg/m2 de IMC, refere estar preocupada com suas “gordurinhas a mais”. Relata que, nos últimos meses, apresenta um a dois episódios por mês em que, em meia hora, come muito doce, principalmente chocolate. Está com medo de engordar mais. Uma amiga está tomando lisdexanfetamina e perdeu 2 kg em um mês. Não apresenta alterações no exame físico. Ao exame psíquico, não apresentou alterações. Refere ser uma pessoa pragmática, mas não se adapta bem a rotinas; já tentou fazer atividade física algumas vezes, sem muito sucesso na continuidade. Nega problemas de saúde e gostaria de poder tomar lisdexanfetamina para controlar seu peso e apetite.

Qual a conduta adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Um episódio de comer grande quantidade não basta para diagnosticar transtorno de compulsão alimentar. Os critérios atuais exigem episódios recorrentes com sensação de perda de controle, sofrimento marcante, ausência de comportamentos compensatórios recorrentes e frequência de pelo menos uma vez por semana por três meses. Um ou dois episódios mensais, sem alteração psíquica ou funcional descrita, não preenchem esse padrão.

Com IMC de 26,7 kg/m², ela tem sobrepeso, não obesidade. Farmacoterapia para controle de peso costuma ser considerada a partir de IMC de 30 kg/m², ou de 27 kg/m² na presença de comorbidades relacionadas ao peso. Ela não atinge esses critérios. Lisdexanfetamina é indicada para transtorno de compulsão alimentar moderado ou grave em adultos, não para perda estética de peso, e possui riscos cardiovasculares, psiquiátricos e de uso indevido.

A conduta é abordar expectativas, padrão alimentar, ambiente, sono, atividade física e estratégias sustentáveis. Não há indicação de exames direcionados a liberar medicamento nem de medicalização. A avaliação preventiva de rotina deve seguir idade e fatores de risco, independentemente dessa queixa.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Discutir os riscos da lisdexanfetamina é apropriado, mas prescrever fluoxetina sem diagnóstico de depressão, bulimia ou outro transtorno não é. O remédio substituiria uma medicalização inadequada por outra.

B) Incorreta. Semaglutida não é indicada para IMC de 26,7 kg/m² sem comorbidades. Exames hepáticos e pancreáticos normais não criam uma indicação que não existe.

C) Incorreta. Encaminhamento psiquiátrico seria pertinente se houvesse perda de controle recorrente, sofrimento relevante, purgação, risco, comorbidade ou dúvida diagnóstica importante. O enunciado não apresenta esses elementos.

D) Correta (gabarito). A paciente deve receber orientação alimentar e comportamental, com metas possíveis de atividade física e sem medicamentos ou exames destinados a tratar uma doença não demonstrada.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é chamar qualquer exagero alimentar de compulsão: é obrigatório haver recorrência, perda de controle e sofrimento.

  • Lisdexanfetamina trata transtorno de compulsão alimentar moderado ou grave, não sobrepeso estético.

  • Fármaco antiobesidade, regra prática: IMC de pelo menos 30, ou pelo menos 27 com comorbidade.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Obesidade e síndrome metabólica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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