Coqueluche e doenças imunopreveníveis

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Questão 56
USP-SP · 2026

Criança, sexo feminino, 5 meses e duas semanas de vida, compareceu no pronto-socorro, com relato de tosse há cerca de 1 semana. A mãe nega contactantes sintomáticos e não observou coriza ou obstrução nasal. Refere que a criança tem crises de tosse e chegou a ficar com coloração arroxeada, cerca de duas vezes no dia, nos últimos quatro dias. Ao exame físico, está em BEG, corada, hidratada, anictérica, acianótica. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Apresenta FR de 36 irpm, FC de 120 bpm. Oroscopia com leve hiperemia de orofaringe. Restante do exame clínico sem alterações. Carteira de vacinação e de parto conforme imagens a seguir:

Figura da questão 56 da USP-SP 2026
Figura da questão

Considerando o principal agente etiológico envolvido, o quadro atual poderia ter sido prevenido com a vacina
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Crises paroxísticas de tosse, com cianose e exame pulmonar normal entre os episódios, são altamente sugestivas de coqueluche por Bordetella pertussis. Lactentes podem não apresentar o guincho inspiratório clássico e podem evoluir com apneia, cianose e bradicardia. A proteção nos primeiros meses depende da transferência placentária de anticorpos produzidos após vacinação materna.

O Calendário Nacional de Vacinação 2026 recomenda uma dose de dTpa a partir da 20ª semana em cada gestação. A carteira materna não registra essa dose. Embora a criança tenha recebido doses da pentavalente, a série primária ainda não está completa e não substitui a imunização materna para proteção precoce. A vacina materna contra VSR, incorporada ao calendário atual, previne doença respiratória pelo vírus sincicial e é aplicada a partir da 28ª semana, não aos 20 semanas.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). A dTpa materna a partir de 20 semanas induz anticorpos contra coqueluche que atravessam a placenta e reduzem doença grave no lactente antes da conclusão de seu esquema vacinal.

B) Incorreta. A vacina contra VSR não previne coqueluche, e o quadro não é de bronquiolite. No calendário atual, a aplicação materna também ocorre mais tarde na gestação.

C) Incorreta. A VPC10 previne doença pneumocócica e não atua contra Bordetella pertussis. Pneumococo não explica melhor tosse paroxística com cianose e ausculta normal entre crises.

D) Incorreta. Vacina influenza não previne coqueluche e a primeira dose infantil é indicada a partir de 6 meses, não aos 5 meses.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: lactente com tosse em acessos e cianose pode ter coqueluche sem guincho.

  • dTpa materna deve ser feita em cada gestação a partir da 20ª semana.

  • A vacinação do bebê reduz risco, mas não substitui a proteção passiva materna nos primeiros meses.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Coqueluche e doenças imunopreveníveis” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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