Homem, 58 anos de idade, é trazido ao pronto-socorro com história de ingestão de soda cáustica. Foi realizada passagem de sonda nasoenteral. No segundo dia de internação, estava sem queixas e solicitou continuidade de recuperação domiciliar, pois sua esposa é enfermeira. O paciente apresenta postura reservada, solícito, fala pouco e diz não se conformar por ter ingerido por engano a soda cáustica que estava em uma garrafa igual à que usam para água. Quando o médico sugere uma consulta psiquiátrica, o paciente pede o favor de não chamar um psiquiatra, temendo o estigma, e acrescenta que tomará mais cuidado.
Pegadinha central: alta a pedido não é automática quando capacidade ou risco de autoagressão estão em dúvida.
Use história colateral para esclarecer mecanismo, intenção e segurança do ambiente.
Proteção não autoriza mentira: avaliação de saúde mental deve ser apresentada com transparência.
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Contexto
Ingestão de cáustico é evento potencialmente letal e pode representar acidente, tentativa de autoextermínio ou violência. A narrativa deve ser confrontada com a quantidade ingerida, o recipiente, a dinâmica do episódio, o comportamento do paciente e informações colaterais. Pedido insistente de alta, relato pouco espontâneo e recusa de avaliação por medo de estigma exigem avaliação de capacidade decisória e de risco antes de aceitar uma alta a pedido.
Autonomia só produz uma recusa válida quando o paciente tem capacidade para compreender o quadro, apreciar as consequências, raciocinar sobre as opções e comunicar decisão consistente. Diante de possível autoagressão e risco clínico ainda não esclarecido, a prioridade é proteção. A equipe deve ampliar a história com familiares, manter transparência e organizar avaliação de saúde mental quando indicada. Não se deve enganar o paciente sobre a especialidade do profissional.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Um termo de responsabilidade não transforma uma alta insegura em decisão eticamente adequada. Primeiro é necessário avaliar capacidade, risco suicida, gravidade da exposição e segurança do destino.
B) Incorreta. A formação da esposa não substitui investigação do evento nem avaliação de risco. Cuidado domiciliar tecnicamente possível não resolve a suspeita de autoagressão.
C) Correta (gabarito). Manter o paciente e obter informações de familiares permite verificar a coerência da história, avaliar risco e planejar continuidade do cuidado sem abandonar a proteção clínica e psicossocial.
D) Incorreta. A avaliação psiquiátrica pode ser necessária, mas ocultar a especialidade do médico viola transparência e confiança. O encaminhamento deve ser explicado de maneira direta e não estigmatizante.