Homem, 30 anos de idade, queixa-se de abaulamento anal associado a dor intensa, contínua e sangramento vivo. A sintomatologia piora em todas as suas evacuações e ficou ainda mais intensa há duas semanas. O hábito evacuatório era de uma evacuação ao dia, fezes endurecidas, e passou a ser de uma vez por semana devido a piora da dor Relata ter uma “hemorroida/verruga” (sic), na borda anal, que parece ter aumentado com o tempo. Informa relações sexuais com parceiros do mesmo sexo, sem maiores detalhes. Ao exame físico, observou-se a seguinte lesão:

Pegadinha central: lesão anal chamada de verruga pelo paciente pode ser câncer.
Dor, sangramento, crescimento e ulceração são sinais de alarme para biópsia.
Carcinoma espinocelular anal tem forte relação com HPV e costuma ser tratado com quimiorradioterapia.
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Contexto
A imagem mostra lesão ulcerovegetante, friável e infiltrativa na margem anal, com sangramento e crescimento progressivo. O conjunto é altamente suspeito de carcinoma espinocelular do ânus, histologia responsável pela maioria dos cânceres anais. HPV de alto risco, especialmente HPV 16, tabagismo, imunossupressão, múltiplos parceiros e relação anal receptiva aumentam o risco.
Dor contínua, sangramento vivo, alteração evacuatória e massa que aumenta não devem ser rotulados como hemorroida ou condiloma sem confirmação. Toda lesão suspeita exige biópsia. Após o diagnóstico, o estadiamento inclui exame proctológico completo, avaliação inguinal e imagem de tórax, abdome e pelve. Na maioria dos carcinomas do canal anal, o tratamento definitivo é quimiorradioterapia, preservando o esfíncter.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Adenocarcinoma pode surgir no reto baixo ou em glândulas anais, mas é menos comum e não é a neoplasia mais associada a lesão verrucosa e ulcerada relacionada ao HPV.
B) Correta (gabarito). A morfologia ulcerovegetante, a dor, o sangramento e os fatores epidemiológicos tornam o carcinoma espinocelular a principal hipótese.
C) Incorreta. Condiloma acuminado costuma formar projeções papilomatosas múltiplas e superficiais. Ulceração, necrose, infiltração, dor intensa e sangramento exigem excluir transformação maligna.
D) Incorreta. Hemorroida interna grau IV é prolapso vascular irredutível, geralmente recoberto por mucosa, e não massa ulcerada e infiltrativa na borda anal.