Primigesta, 39 anos de idade, é admitida com 40 semanas de gravidez para indução de parto. Apresenta antecedente de hipertensão arterial crônica, controlada atualmente com metildopa 1,5 g por dia e diabetes gestacional em uso de insulina NPH 12 unidades antes do café da manhã, 6 unidades na hora do almoço e 6 unidades às 22 horas (12-6-0-6) e insulina regular 4 unidades no café da manhã, 4 unidades no almoço e 2 no jantar (4-4-2-0). Ao exame inicial, apresenta bom estado geral, corada, normotensa e normocárdica, altura uterina de 38 cm, cefálico, BCF presente de 148 bpm, colo médio, medianizado, com 4 cm.
A pegadinha é manter a receita de casa: na indução, use um terço da NPH matinal e corrija com regular.
NPH habitual de 12 unidades: um terço é 4 unidades.
Dose prandial fixa só faz sentido quando há refeição previsível; no trabalho de parto, a glicemia guia os ajustes.
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Contexto
No dia da indução, a ingestão é menor e imprevisível, enquanto o trabalho de parto aumenta consumo de glicose. Manter integralmente o esquema domiciliar cria risco de hipoglicemia materna, e hiperglicemia intraparto aumenta hiperinsulinemia e hipoglicemia neonatal. O princípio é reduzir a insulina basal, suspender doses prandiais fixas que não correspondam à alimentação real e ajustar insulina regular conforme glicemia capilar.
No protocolo cobrado, oferece-se dieta pré-parto e administra-se um terço da dose matinal habitual de NPH. Como a paciente usa 12 unidades pela manhã, um terço corresponde a 4 unidades. A insulina regular passa a ser utilizada de acordo com medições seriadas e com o protocolo do serviço.
Protocolos institucionais podem variar quanto à frequência de controle, metas e uso de infusão de glicose ou insulina. O raciocínio invariável é evitar tanto omissão completa da basal quanto repetição automática do esquema ambulatorial durante a indução.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Quatro unidades correspondem a um terço das 12 unidades de NPH matinal. A correção com insulina regular guiada pela glicemia adapta o tratamento à ingestão e à evolução do trabalho de parto.
B) Incorreta. A alternativa mantém doses fixas de regular e múltiplas aplicações de NPH sem garantir ingestão correspondente. Isso aumenta risco de hipoglicemia durante a indução.
C) Incorreta. Manter toda a dose habitual de NPH e acrescentar soro glicosado de manutenção produz um esquema rígido e potencialmente desbalanceado. Glicose intravenosa deve seguir necessidade e protocolo, não compensar indiscriminadamente excesso de insulina.
D) Incorreta. Usar apenas regular conforme glicemia omite completamente a insulina basal. O protocolo da questão preserva uma dose reduzida de NPH para evitar descontrole metabólico.