Criança, sexo masculino, 7 anos de idade, portadora de refluxo vesicoureteral bilateral, retornou hoje ao hospital por febre de até 38,8 °C. No exame físico inicial, o paciente está letárgico e sonolento, apresenta FC de 140 bpm, FR de 26 irpm, PA de 90×40 mmHg, SpO2 de 96% em ar ambiente, ausculta pulmonar e cardíaca normais, fígado no rebordo costal direito, perfusão com retorno rápido (< 1 segundo), pulsos amplos, escore de coma de Glasgow 14, pupilas isofotorreagentes. Temperatura atual de 37,2 °C, após uma hora do antitérmico administrado em casa. O paciente recebeu alta há dois dias do hospital, onde esteve internado em leito de terapia intensiva pediátrico devido a quadro de infecção do trato urinário grave por Escherichia coli sensível aos antibióticos testados. Durante internação, ficou com sonda vesical de demora e cateter venoso central, retirado no dia da alta, sem sinais flogísticos no exame físico de hoje.
Pegadinha central: enchimento capilar rápido não exclui choque; pode indicar choque séptico quente.
Bolus pediátrico: 10 a 20 mL/kg com reavaliação frequente.
Choque séptico exige antibiótico amplo precoce, sem aguardar exames confirmatórios.
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Contexto
A criança apresenta provável choque distributivo por sepse: taquicardia, alteração do sensório, pressão de pulso ampla, pulsos amplos e perfusão periférica rápida, padrão de choque quente. A pressão arterial de 90 por 40 mmHg é limítrofe e não exclui choque, pois hipotensão é sinal tardio em pediatria. Internação recente em UTI, sonda vesical e cateter venoso central ampliam o risco de infecção associada à assistência e de patógenos resistentes.
A Surviving Sepsis Campaign 2026 recomenda iniciar ressuscitação imediatamente. Em serviço com suporte intensivo, administram-se bolus de cristaloide de 10 a 20 mL/kg, preferindo soluções balanceadas, com reavaliação após cada bolus e interrupção diante de sobrecarga. No choque séptico, antibiótico parenteral de amplo espectro deve ser iniciado idealmente na primeira hora, após culturas quando isso não causar atraso. A escolha deve cobrir o provável foco e a microbiota hospitalar local, com consideração de Gram-negativos resistentes e MRSA.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A alternativa trata simultaneamente a hipoperfusão com expansão volêmica e a provável infecção associada à assistência com antibiótico de espectro estendido.
B) Incorreta. Velocidade de manutenção não ressuscita choque. Cefalosporina de terceira geração isolada pode ser insuficiente diante de internação recente, dispositivos invasivos e risco de resistência.
C) Incorreta. Lactato e coagulação ajudam a estratificar gravidade, mas não podem atrasar antibiótico, fluidos e eventual início de droga vasoativa.
D) Incorreta. Urina deve ser coletada se possível, mas a sepse não espera o sedimento nem a cultura. O antibiótico é iniciado empiricamente e depois ajustado aos resultados.