Menina, 6 anos de idade, apresenta telarca bilateral progressiva e aceleração da velocidade de crescimento. O exame físico mostra desenvolvimento mamário estágio M2 e a estatura no z-score +3 para a idade. Exame neurológico é normal.
Note e adote: Valor de referência para pré-puberes: LH: < 0,3 mUI/mL FSH: < 4,0 mUI/mL
Pegadinha: crescimento acelerado com telarca precoce é efeito puberal, não indicação de dosar GH como primeira conduta.
Puberdade precoce central é progressiva e costuma avançar a idade óssea.
Quanto menor a idade de início, maior a preocupação com lesão do SNC e a indicação de ressonância.
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Contexto
Telarca antes dos 8 anos associada a aceleração da velocidade de crescimento sugere puberdade precoce verdadeira, e não telarca isolada. Na puberdade precoce central ocorre ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gônada, com progressão dos caracteres sexuais, avanço da idade óssea e aumento inicial da estatura, seguido de risco de perda de altura final pela maturação epifisária.
O exame etiológico que discrimina a questão é a ressonância magnética do sistema nervoso central. Em meninas com início muito precoce, especialmente por volta de 6 anos ou menos, progressão rápida ou sinais neurológicos, deve-se excluir hamartoma hipotalâmico e outras lesões do SNC. Entre 6 e 8 anos sem sintomas neurológicos, diferentes consensos permitem individualizar a imagem; neste caso, a idade limítrofe baixa e a progressão com crescimento acelerado sustentam a investigação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Cariótipo é direcionado a distúrbios do desenvolvimento sexual, disgenesia gonadal ou amenorreia com anatomia incompatível. Não é o exame etiológico inicial de puberdade precoce central típica.
B) Incorreta. A estatura elevada resulta do efeito de estrógeno e hormônio do crescimento ativados pela puberdade. Excesso primário de GH não explica telarca e maturação sexual progressiva.
C) Correta (gabarito). Ressonância do SNC investiga causa orgânica de ativação central precoce, indicação especialmente relevante em criança com início aos 6 anos e evolução progressiva.
D) Incorreta. Ultrassom pélvico pode mostrar aumento uterino e ovariano por estrogenização e apoiar o diagnóstico, mas não identifica a causa central que precisa ser excluída.