Homem, 62 anos de idade, com histórico de hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia, foi recentemente internado devido a infarto agudo do miocárdio de parede inferior, tratado com sucesso por intervenção coronariana percutânea primária. Ficou internado por 14 dias para controle sintomático. Neste período, a família notou o surgimento de tremores simétricos em repouso, predominantemente em membros superiores, associados à lentificação dos movimentos e dificuldade de marcha, com piora progressiva ao longo dos dias. Ao exame neurológico, o paciente apresentava rigidez em “roda denteada” em ambos os membros superiores, bradicinesia e tremor de repouso bilateral, mais proeminente nos membros superiores, com frequência de 4-6 Hz. A velocidade da marcha encontrava-se reduzida, com passos curtos e redução do balanço passivo dos membros superiores.
Pegadinha central: antiemético pode ser antidopaminérgico.
Parkinsonismo medicamentoso costuma ser bilateral, simétrico e temporalmente relacionado ao fármaco.
Metoclopramida, bromoprida e antipsicóticos são causas clássicas.
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Contexto
O aparecimento subagudo, durante internação, de bradicinesia, rigidez em roda denteada, tremor de repouso e marcha de passos curtos sugere parkinsonismo medicamentoso. Esse quadro costuma ser bilateral e relativamente simétrico, ao contrário da doença de Parkinson idiopática, que frequentemente começa de forma assimétrica.
A bromoprida é antagonista dopaminérgico D2, utilizada como antiemético e procinético. Ao bloquear a transmissão dopaminérgica nigroestriatal, pode causar distonia, acatisia, discinesia tardia e parkinsonismo induzido por fármaco. A conduta inicial é suspender o agente quando possível e acompanhar a regressão, que pode levar semanas ou meses.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Clonazepam pode provocar sonolência, lentificação psicomotora e ataxia, mas não causa síndrome rígido acinética típica por bloqueio dopaminérgico.
B) Incorreta. Carvedilol pode causar bradicardia, hipotensão e fadiga, porém não bloqueia receptores dopaminérgicos nem produz parkinsonismo.
C) Correta (gabarito). Bromoprida bloqueia receptores D2 e é causa reconhecida de sintomas extrapiramidais, especialmente em idosos e após uso repetido.
D) Incorreta. Losartana pode causar hipotensão, hipercalemia e alteração renal, mas não está associada a parkinsonismo medicamentoso.