Lactente, 1 ano de idade, foi submetido à esofagocoloplastia devido a atresia de esôfago. Após 24 horas de cirurgia, apresenta-se gemente, com má perfusão periférica, oligúria e débito vinhoso fétido pela gastrostomia. Ao exame físico, apresenta FC de 190 bpm e PA de 70×40 mmHg. Saturação de oxigênio não aferível. Murmúrios vesiculares reduzidos em bases.
Pegadinha central: após interposição de cólon, secreção escura e fétida significa enxerto isquêmico até prova em contrário.
Necrose do conduto é emergência cirúrgica, não complicação para observação.
Choque pode surgir antes de sinais torácicos exuberantes.
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Contexto
Na esofagocoloplastia, um segmento de cólon é mobilizado e levado ao tórax para substituir o esôfago. A complicação precoce mais temida é isquemia do enxerto por comprometimento do pedículo vascular. O lactente apresenta choque, oligúria e débito vinhoso e fétido pela gastrostomia apenas 24 horas após a operação, combinação que aponta para necrose do cólon interposto.
A necrose exige reexploração imediata, retirada do segmento inviável, controle da contaminação e planejamento de reconstrução em outro tempo, além de ressuscitação, antibiótico de amplo espectro e suporte intensivo. A demora permite progressão rápida para mediastinite, sepse e falência de múltiplos órgãos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Deiscência anastomótica pode causar saliva ou conteúdo digestivo em drenos, pneumomediastino e sepse, mas o débito escuro, fétido e o colapso precoce sugerem perda de viabilidade do enxerto.
B) Incorreta. Pneumotórax hipertensivo causaria deterioração ventilatória súbita, assimetria auscultatória e choque obstrutivo, sem explicar secreção vinosa pela gastrostomia.
C) Incorreta. Perfuração pode ser consequência da necrose, mas não descreve o processo primário mais provável no cólon recém transposto.
D) Correta (gabarito). A combinação de choque e drenagem fétida escura após esofagocoloplastia é característica de isquemia e necrose do segmento cólico.