Secundigesta com uma cesárea prévia, sem doenças, comparece ao pré-natal com 34 semanas e 3 dias de gravidez, queixa-se de edema importante na última semana. Boa movimentação, sem perdas vaginais. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, corada, PA de 148×90 mmHg, abdome gravídico, altura uterina de 29 cm, útero normotônico, BCF presente rítmico de 128 bpm. Edema mãos e face 2+/4+, edema membros inferiores 3+/4+, simétrico e sem sinais de TVP. Avaliação fetal realizada com os seguintes achados:

Pegadinha: a conduta é determinada pelos achados fetais graves, não pelo edema ou pela pressão isolada.
Diástole zero na artéria umbilical indica insuficiência placentária avançada.
Traçado não tranquilizador mais Doppler grave favorece interrupção imediata por cesárea.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A gestante apresenta hipertensão após 20 semanas, edema de mãos e face e altura uterina menor que a esperada, conjunto sugestivo de doença hipertensiva com restrição de crescimento fetal. A imagem acrescenta os dados decisivos: a cardiotocografia mostra desaceleração prolongada, e o Doppler da artéria umbilical apresenta fluxo diastólico ausente. Diástole zero indica resistência placentária muito elevada e maior risco de acidemia e morte perinatal.
Com 34 semanas e 3 dias, a combinação de Doppler gravemente alterado e traçado fetal não tranquilizador exige interrupção. A via não é definida apenas pela cesárea anterior, pois uma cicatriz segmentar pode permitir trabalho de parto selecionado. Aqui, porém, o estado fetal torna improvável tolerar indução ou evolução prolongada; por isso, a resolução deve ser por cesárea. Anti-hipertensivo e sulfato de magnésio podem ser necessários conforme a gravidade materna, mas não corrigem insuficiência placentária nem substituem o parto.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A desaceleração prolongada associada à diástole zero na artéria umbilical representa comprometimento fetal relevante. A interrupção é indicada, e a cesárea é a via mais segura diante de um feto que já demonstra baixa reserva.
B) Incorreta. Indução pode ser considerada em algumas gestantes com restrição de crescimento e avaliação fetal estável, inclusive após uma cesárea selecionada. Não é a melhor opção quando há traçado não tranquilizador e Doppler gravemente alterado, pois o feto pode não tolerar contrações.
C) Incorreta. Metildopa poderia tratar hipertensão sem urgência, mas a pressão de 148 por 90 mmHg isoladamente não é o principal determinante da conduta. Reavaliar sem interromper posterga a resolução de insuficiência placentária com repercussão fetal.
D) Incorreta. Sulfato de magnésio é indicado para prevenção ou tratamento de convulsões na pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e, em idades gestacionais menores, para neuroproteção fetal. Ele não reverte diástole zero nem desaceleração prolongada e não substitui a cesárea indicada.