Síndromes hipertensivas da gestação

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 104
USP-SP · 2026

Secundigesta com uma cesárea prévia, sem doenças, comparece ao pré-natal com 34 semanas e 3 dias de gravidez, queixa-se de edema importante na última semana. Boa movimentação, sem perdas vaginais. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, corada, PA de 148×90 mmHg, abdome gravídico, altura uterina de 29 cm, útero normotônico, BCF presente rítmico de 128 bpm. Edema mãos e face 2+/4+, edema membros inferiores 3+/4+, simétrico e sem sinais de TVP. Avaliação fetal realizada com os seguintes achados:

Figura da questão 104 da USP-SP 2026
Figura da questão

A conduta obstétrica é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A gestante apresenta hipertensão após 20 semanas, edema de mãos e face e altura uterina menor que a esperada, conjunto sugestivo de doença hipertensiva com restrição de crescimento fetal. A imagem acrescenta os dados decisivos: a cardiotocografia mostra desaceleração prolongada, e o Doppler da artéria umbilical apresenta fluxo diastólico ausente. Diástole zero indica resistência placentária muito elevada e maior risco de acidemia e morte perinatal.

Com 34 semanas e 3 dias, a combinação de Doppler gravemente alterado e traçado fetal não tranquilizador exige interrupção. A via não é definida apenas pela cesárea anterior, pois uma cicatriz segmentar pode permitir trabalho de parto selecionado. Aqui, porém, o estado fetal torna improvável tolerar indução ou evolução prolongada; por isso, a resolução deve ser por cesárea. Anti-hipertensivo e sulfato de magnésio podem ser necessários conforme a gravidade materna, mas não corrigem insuficiência placentária nem substituem o parto.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). A desaceleração prolongada associada à diástole zero na artéria umbilical representa comprometimento fetal relevante. A interrupção é indicada, e a cesárea é a via mais segura diante de um feto que já demonstra baixa reserva.

B) Incorreta. Indução pode ser considerada em algumas gestantes com restrição de crescimento e avaliação fetal estável, inclusive após uma cesárea selecionada. Não é a melhor opção quando há traçado não tranquilizador e Doppler gravemente alterado, pois o feto pode não tolerar contrações.

C) Incorreta. Metildopa poderia tratar hipertensão sem urgência, mas a pressão de 148 por 90 mmHg isoladamente não é o principal determinante da conduta. Reavaliar sem interromper posterga a resolução de insuficiência placentária com repercussão fetal.

D) Incorreta. Sulfato de magnésio é indicado para prevenção ou tratamento de convulsões na pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e, em idades gestacionais menores, para neuroproteção fetal. Ele não reverte diástole zero nem desaceleração prolongada e não substitui a cesárea indicada.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha: a conduta é determinada pelos achados fetais graves, não pelo edema ou pela pressão isolada.

  • Diástole zero na artéria umbilical indica insuficiência placentária avançada.

  • Traçado não tranquilizador mais Doppler grave favorece interrupção imediata por cesárea.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Síndromes hipertensivas da gestação” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →