Homem, 67 anos de idade, possui antecedentes de hipertensão arterial sistêmica, doença renal crônica dialítica e cefaleia tensional. Está internado na enfermaria de clínica médica em término de tratamento de pneumonia. Durante a evolução, foram identificados, nos controles das últimas 48 horas, múltiplas aferições de pressão arterial próximas a 180×120 mmHg. Apresentou um episódio de sua cefaleia habitual.
Pegadinha central: no dialítico hipertenso, compare sempre o peso atual com o peso seco.
Hipertensão grave não é sinônimo de emergência; é preciso demonstrar lesão aguda de órgão alvo.
Controle duradouro depende também de sódio dietético, adequação da diálise e revisão dos anti hipertensivos.
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Contexto
Em paciente com doença renal crônica dialítica, hipertensão grave sustentada costuma ter forte componente de sobrecarga de sódio e água. O dado imediatamente acionável é a diferença entre o peso atual e o peso seco, definido como o menor peso pós diálise tolerado sem sinais de hipovolemia. Ganho interdialítico excessivo ou peso persistentemente acima da meta orienta revisão da ultrafiltração, ingestão de sódio, duração e adequação das sessões.
A pressão de 180 por 120 mmHg exige pesquisa paralela de lesão aguda de órgão alvo para distinguir hipertensão grave assintomática de emergência hipertensiva. Entretanto, a cefaleia é habitual, sem déficit neurológico ou outra manifestação nova. Nesse contexto específico, pesar o paciente é etapa central para a conduta imediata porque pode revelar a principal causa tratável no dialítico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Fundoscopia pode detectar hemorragias, exsudatos ou papiledema e deve ser considerada na pesquisa de emergência hipertensiva, mas não define tão diretamente a necessidade de ajuste volêmico e ultrafiltração neste paciente dialítico.
B) Correta (gabarito). O peso permite comparar o estado atual com o peso seco, estimar retenção volêmica e orientar intensificação segura da retirada de líquido.
C) Incorreta. Circunferência cervical ajuda na avaliação de risco para apneia obstrutiva do sono, causa crônica de hipertensão, mas não é a prioridade diante de elevação pressórica sustentada durante a internação.
D) Incorreta. Sopro abdominal pode sugerir doença renovascular, porém a causa imediata mais provável no dialítico é excesso de volume, e o achado não orientaria a intervenção mais urgente.