Mulher, 58 anos de idade, menopausada, refere desconforto pélvico e sensação de “peso” na região vaginal, que se acentua ao final do dia e após longos períodos em pé. Também refere dificuldade para evacuar, com necessidade frequente de realizar manobras digitais para completar a evacuação. Apresenta atividade sexual regular com uso de lubrificantes à base de óleos naturais. Durante o exame ginecológico com manobra de Valsalva, observa-se que a parede vaginal posterior ultrapassa o hímen em 2 cm e o colo uterino exterioriza-se 1cm além do hímen.
A pegadinha é ignorar a vida sexual: colpocleise só serve para quem não deseja coito vaginal futuro.
Manobra digital para evacuar aponta para retocele e defeito do compartimento posterior.
Prolapso que ultrapassa o hímen em mais de 1 cm é estágio III, salvo eversão completa.
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Contexto
O sistema POP-Q usa o hímen como ponto zero. A parede vaginal posterior situada 2 cm além do hímen representa ponto +2, e o colo 1 cm além representa ponto +1. A borda mais distal ultrapassa o hímen em mais de 1 cm, quadro compatível com prolapso estágio III, desde que não haja eversão vaginal completa.
A dificuldade evacuatória com necessidade de manobra digital é característica de defeito do compartimento posterior, geralmente retocele. Como há sintomas importantes, prolapso uterino associado e atividade sexual regular, a opção definitiva deve ser reconstrutiva. Histerectomia vaginal com correção posterior pode ser considerada, idealmente acompanhada de suspensão apical adequada para reduzir recorrência.
Pessário e fisioterapia devem ser discutidos como alternativas conservadoras conforme preferência e risco cirúrgico. Colpocleise oblitera o canal vaginal e impede coito vaginal, sendo destinada a quem não deseja mais essa via sexual. Laser de CO2 não recompõe o suporte fascial e ligamentar do prolapso.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Pessário e fisioterapia são opções válidas se a paciente preferir tratamento conservador ou tiver alto risco cirúrgico. Porém, diante de prolapso estágio III, sintomas evacuatórios relevantes e busca de correção definitiva, não são a melhor resposta entre as alternativas.
B) Incorreta. Laser de CO2 não corrige o defeito anatômico de sustentação e não é tratamento recomendado para prolapso uterino ou retocele.
C) Correta (gabarito). Histerectomia vaginal associada à perineocolporrafia corrige o prolapso uterino e o defeito posterior mantendo possibilidade de atividade sexual. Na prática moderna, deve-se planejar também suporte apical.
D) Incorreta. Colpocleise é cirurgia obliterativa e inviabiliza relação vaginal, portanto não é adequada para mulher sexualmente ativa. Estrogênio tópico pode tratar atrofia, mas não muda essa contraindicação funcional.