Mulher, 39 anos de idade, refere cólica em epigástrio e hipocôndrio direito com irradiação para dorso há 2 dias, que melhora com o uso de analgésicos e antiespasmódicos. Nega febre. Sem comorbidades. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, corada, hidratada, ictérica +/++++, afebril; abdome distendido, flácido, doloroso em epigástrio e hipocôndrio direito sem sinais de peritonite.
Pegadinha central: dor biliar mais icterícia e colestase, sem sepse, aponta para coledocolitíase.
Colangite acrescenta inflamação sistêmica à obstrução biliar.
AST e ALT podem subir bastante na obstrução aguda por cálculo, especialmente no início.
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Contexto
A combinação de dor biliar, icterícia e elevação de bilirrubina, fosfatase alcalina e GGT caracteriza obstrução biliar extra-hepática até prova em contrário. A elevação concomitante de AST e ALT pode ocorrer nas primeiras horas de obstrução por cálculo e não transforma o quadro em hepatite primária. Com bilirrubina total de 4,5 mg/dL e colestase importante, a principal hipótese é cálculo no colédoco.
Pelas Tokyo Guidelines 2018, colangite exige evidência de inflamação sistêmica associada a colestase e achado de imagem compatível. A paciente não tem febre, leucocitose, PCR expressiva ou instabilidade, portanto não preenche o componente infeccioso que diferencia colangite de coledocolitíase não complicada. Amilase e lipase sem elevação diagnóstica também afastam pancreatite biliar.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Cólica biliar simples decorre de obstrução transitória do ducto cístico e, em regra, não produz icterícia persistente nem colestase dessa magnitude.
B) Incorreta. Faltam febre, inflamação sistêmica e repercussão clínica. Colangite seria a resposta certa se a obstrução biliar estivesse acompanhada de infecção, especialmente com tríade de Charcot ou disfunção orgânica.
C) Correta (gabarito). A dor de padrão biliar associada a icterícia e perfil laboratorial colestático indica obstrução do colédoco por cálculo, mesmo sem imagem apresentada no enunciado.
D) Incorreta. Colecistite aguda produz dor persistente em hipocôndrio direito, sinal de Murphy e inflamação local ou sistêmica. Icterícia acentuada e colestase sugerem obstrução da via biliar principal, não inflamação vesicular isolada.