Mulher, 24 anos de idade, com queixa de corrimento vaginal amarelado e aumento da secreção nas últimas 48 horas, sem prurido vaginal. Refere dor leve no hipogástrio, sem febre. Ao exame especular, observa-se conteúdo mucopurulento na endocérvice e discreto sangramento. Ao toque, o colo é friável. O teste rápido de Amplificação de Ácido Nucleico (NAAT) é positivo para Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis.
Pegadinha: a resposta muda conforme a diretriz; o gabarito segue o PCDT brasileiro, não o CDC.
Gonorreia confirmada exige ceftriaxona; monoterapia para clamídia é insuficiente.
Tratar parcerias e evitar relações por sete dias após terapia de dose única e até que todos tenham sido tratados.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Secreção mucopurulenta endocervical, friabilidade e sangramento ao toque caracterizam cervicite. O NAAT confirmou coinfecção por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, portanto as duas bactérias devem ser tratadas. O PCDT para Atenção Integral às Pessoas com IST do Ministério da Saúde, publicado em 2021 e adotado nos protocolos brasileiros subsequentes, recomenda para infecção gonocócica não complicada ceftriaxona 500 mg intramuscular em dose única associada a azitromicina 1 g oral em dose única.
Há divergência internacional relevante: o CDC norte-americano passou a preferir ceftriaxona 500 mg isolada para gonorreia e doxiciclina por 7 dias quando clamídia não foi excluída ou foi confirmada. A questão segue o protocolo brasileiro que mantém a associação com azitromicina; por isso, o gabarito deve ser preservado. Também é necessário tratar parcerias sexuais, orientar abstinência até sete dias após a dose única e até todas as parcerias estarem tratadas, além de testar outras IST.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Doxiciclina trata clamídia, mas não oferece tratamento adequado para gonorreia confirmada. A ceftriaxona é indispensável.
B) Incorreta. Este é o esquema preferido em diretrizes internacionais como a do CDC para coinfecção gonocócica e clamidiana, mas não é o esquema cobrado pelo PCDT brasileiro usado pela questão. A divergência é de referência, não de identificação do diagnóstico.
C) Correta (gabarito). Ceftriaxona 500 mg intramuscular mais azitromicina 1 g oral, ambas em dose única, corresponde ao esquema brasileiro cobrado para gonorreia não complicada com cobertura simultânea de clamídia.
D) Incorreta. Azitromicina isolada não trata adequadamente gonorreia e dividir 1 g em duas doses separadas por uma semana não corresponde ao regime recomendado.