Mulher, 39 anos de idade, 26 semanas de gestação, refere que notou aumento assimétrico das mamas ao longo do último mês. Ao exame, nota-se nodulação de aproximadamente 2,5 cm em junção de quadrantes inferiores de mama esquerda, profundo, pouco móvel, sem calor local.
Pegadinha: gravidez não impede mamografia nem justifica observar um nódulo suspeito.
Ultrassonografia costuma ser o primeiro exame da massa palpável; mamografia diagnóstica complementa quando indicada.
Lesão suspeita deve ser confirmada preferencialmente por biópsia por agulha grossa.
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Contexto
Um nódulo mamário novo, profundo, pouco móvel e assimétrico durante a gestação precisa ser investigado sem atraso. A gestação aumenta a densidade e a nodularidade mamárias, mas não transforma um achado suspeito em alteração fisiológica. Segundo os critérios de imagem do American College of Radiology, a ultrassonografia costuma ser o exame inicial da massa palpável na gestante; a mamografia diagnóstica, porém, não é contraindicada na gravidez e deve complementar a avaliação quando há suspeita clínica, sobretudo para procurar calcificações, distorção arquitetural, multifocalidade ou doença contralateral.
Nesta questão, a ultrassonografia diagnóstica não aparece entre as opções. Entre as alternativas oferecidas, prosseguir com mamografia é a única conduta que mantém a investigação oncológica adequada. Se a imagem permanecer suspeita, o método de confirmação preferido é biópsia por agulha grossa guiada por imagem, e não punção aspirativa isolada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A punção aspirativa pode fornecer citologia, mas tem menor capacidade de definir arquitetura, invasão e subtipo tumoral. Para nódulo sólido suspeito, a biópsia por agulha grossa é superior e deve ser orientada pelo exame de imagem.
B) Correta (gabarito). A mamografia diagnóstica pode ser realizada durante a gestação quando clinicamente indicada e complementa a avaliação de um nódulo suspeito. A dose fetal é muito baixa e o risco de atrasar o diagnóstico de câncer de mama é maior que o risco radiológico do exame.
C) Incorreta. Clindamicina seria cogitada diante de mastite ou abscesso, habitualmente com dor, calor, hiperemia, febre ou coleção. O caso descreve massa sólida pouco móvel, sem sinais inflamatórios.
D) Incorreta. Observação por duas semanas é inadequada para massa nova com características suspeitas. Reavaliação curta pode ser usada em achados claramente benignos ou inflamatórios, não para postergar investigação de possível neoplasia.