Transtornos depressivos

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Questão 90
USP-SP · 2026

Homem, 45 anos de idade, em consulta em uma unidade básica de saúde, refere indisposição de início gradativo, redução do ânimo e da energia há 4 meses. Nesse período tem comido mais, principalmente carboidratos. Tem estado um pouco mais irritado e tem sentido menos prazer no bate-papo com os amigos. A investigação clínica não identificou outros sintomas físicos ou mentais. Não apresenta alterações ao exame físico. O paciente acredita que seu caso seja falta de exercício e que, se voltar a correr com seus amigos 4 vezes por semana, como fazia até há um ano, vai melhorar. Comparece à consulta porque seu chefe disse que ele deveria procurar tratamento. Diz não acreditar em psicoterapia e não gosta da ideia de tomar antidepressivos.

Além de agendar uma consulta para 4 a 6 semanas, a conduta imediata seria:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O paciente apresenta sintomas depressivos leves ou subclínicos, com redução de energia e prazer, alteração do apetite e irritabilidade, mas sem sinais descritos de risco suicida, psicose, mania ou prejuízo funcional grave. A consulta deve confirmar esses pontos, revisar uso de substâncias e causas clínicas e combinar acompanhamento próximo.

As recomendações da OMS para depressão em adultos incluem atividade física como intervenção terapêutica, e antidepressivos não são obrigatórios nos quadros leves. A proposta do próprio paciente de retomar corridas quatro vezes por semana pode ser transformada em um plano gradual, realista e monitorável, respeitando decisão compartilhada e aumentando adesão.

Agendar reavaliação em quatro a seis semanas é parte do manejo ativo, não abandono. Piora, aparecimento de ideação suicida, incapacidade funcional ou persistência do quadro exigem escalonamento para psicoterapia, medicamento ou cuidado especializado.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Terapia cognitivo-comportamental é eficaz e pode ser novamente oferecida, mas o paciente a recusa e não há gravidade que imponha encaminhamento imediato. Uma intervenção alinhada à preferência é mais apropriada neste momento.

B) Incorreta. Um inibidor seletivo da recaptação de serotonina pode ser necessário se houver persistência, maior gravidade ou preferência pelo tratamento farmacológico, mas não é obrigatório como primeira medida neste quadro leve.

C) Correta (gabarito). Orientar e reforçar atividade física estruturada é uma intervenção baseada em evidência, compatível com a gravidade e com o plano que o paciente aceita, mantendo reavaliação em curto prazo.

D) Incorreta. Hypericum perforatum apresenta padronização variável e numerosas interações medicamentosas, inclusive por indução enzimática. Não é escolha inicial segura para automedicalizar sintomas leves na APS.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é achar que todo sintoma depressivo exige antidepressivo: quadros leves permitem intervenção não farmacológica e seguimento próximo.

  • Preferência do paciente faz parte da evidência aplicada, desde que não existam risco ou gravidade que exijam outra conduta.

  • Reavaliar em quatro a seis semanas e antecipar retorno diante de piora ou ideação suicida.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Transtornos depressivos” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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