Homem, 28 anos de idade, vítima de atropelamento com trauma do membro inferior esquerdo. Após 7 dias de internação, observa-se lesão no membro acometido, sem solução de continuidade com meio externo. Ao exame físico, a escara cutânea está descolada da profundidade e apresenta grande hematoma subcutâneo, sem perfusão cutânea adequada, conforme imagem a seguir:

Pegadinha central: ausência de ferida aberta não exclui destruição extensa dos tecidos profundos.
Morel Lavallée cria espaço morto com sangue e linfa entre subcutâneo e fáscia.
Pele sem perfusão deve ser desbridada, não reaproveitada como enxerto.
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Contexto
A lesão de Morel Lavallée é um ferimento descolante fechado causado por força tangencial que separa pele e tecido subcutâneo da fáscia profunda. O espaço criado acumula sangue, linfa e gordura necrótica. A pele pode parecer inicialmente íntegra, mas a interrupção dos vasos perfurantes evolui para flutuação, escara e necrose, como na imagem.
Quando existe pele desvitalizada e grande cavidade, punção isolada tem alta recorrência e não remove tecido necrótico. A conduta é desbridamento amplo, evacuação do hematoma, irrigação, coleta de material se houver suspeita infecciosa e eliminação do espaço morto. Curativo por pressão negativa favorece drenagem, aproximação dos planos e preparo para fechamento ou enxertia posterior.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Fasceíte necrotizante costuma cursar com infecção rapidamente progressiva, dor desproporcional, toxemia e necrose fascial. Punção e curativo simples seriam inadequados mesmo nesse diagnóstico.
B) Incorreta. Incisão e pressão negativa podem fazer parte do tratamento, mas o diagnóstico não é fasceíte. Além disso, é necessário remover a pele claramente inviável.
C) Correta (gabarito). O trauma fechado, o descolamento, o hematoma e a necrose cutânea definem ferimento descolante oculto, tratado com ressecção do tecido inviável, limpeza e pressão negativa.
D) Incorreta. Pele necrótica não funciona como enxerto. Enxertia só deve ser feita com tecido viável sobre leito limpo e vascularizado, geralmente após o desbridamento.