Há evidências crescentes, embora controversas, de que a exposição solar crônica está associada ao risco de câncer de mama. Estudos anteriores foram realizados em regiões com variação sazonal na Radiação Ultravioleta (UV) e entre participantes predominantemente de ascendência europeia. Um estudo de caso-controle foi conduzido em Porto Rico, onde não há flutuação sazonal significativa e há exposição contínua à radiação UV muito alta. O estudo incluiu 307 casos de câncer de mama e 328 controles. A análise foi estratificada por cor da pele. A tabela a seguir mostra a distribuição dos participantes com tom de pele mais escuro.
A pegadinha é usar proporções brutas como se o caso-controle fornecesse risco: a medida central é a odds ratio.
Razão de chances inferior a 1 sugere proteção; superior a 1 sugere risco; igual a 1 indica ausência de associação.
Sem intervalo de confiança, é possível definir a direção da associação, mas não afirmar sua significância estatística.
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Contexto
Em estudo de caso-controle, os participantes são selecionados conforme o desfecho, casos com câncer de mama e controles sem a doença. Por isso, não se estima diretamente incidência nem risco relativo. A medida de associação apropriada é a razão de chances, odds ratio, comparando a chance de exposição entre casos e controles.
Tomando a exposição baixa como referência, a razão de chances para alta exposição é calculada por (24 × 54) dividido por (54 × 53), resultando em aproximadamente 0,45. Como o valor é inferior a 1, a alta exposição aparece menos frequentemente entre os casos do que entre os controles e apresenta associação inversa com câncer de mama. No vocabulário da questão, isso sugere efeito protetor, embora um estudo observacional isolado demonstre associação, não causalidade.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A exposição moderada também não apresenta ausência de associação: sua razão de chances é aproximadamente 0,47, distante do valor nulo 1. Além disso, a conclusão de maior interesse nas opções é a comparação entre alta e baixa exposição.
B) Correta (gabarito). A alta exposição solar tem razão de chances de aproximadamente 0,45 em relação à baixa exposição, indicando menor chance de exposição entre os casos e associação compatível com fator protetor.
C) Incorreta. Um fator de risco deveria produzir razão de chances superior a 1. Os dados mostram o oposto, com alta exposição proporcionalmente menos frequente entre os casos.
D) Incorreta. Ausência de efeito corresponderia a razão de chances próxima de 1. O valor aproximado de 0,45 sugere associação inversa relevante, ainda que a significância estatística dependa do intervalo de confiança, não fornecido.