Mulher, 65 anos de idade, foi vítima de colisão de carro em alta velocidade contra anteparo fixo. Estava no banco traseiro do veículo com cinto de segurança. Na admissão no serviço de emergência encontrava-se: A: Intubada em ventilação mecânica; B: Murmúrios vesiculares simétricos; C: PA de 140×90 mmHg e FC de 120 bpm; D: Escala de coma de Glasgow 3T; E: Marca do cinto de segurança em parede abdominal. Diurese clara. Realizado o FAST, apresentado na imagem a seguir:

Pegadinha central: FAST positivo não define órgão; sinal do cinto faz pensar primeiro em intestino e mesentério.
Paciente estável com sinal do cinto deve realizar tomografia contrastada e permanecer sob exame seriado quando houver dúvida.
Líquido livre sem lesão de órgão sólido é pista importante para lesão de víscera oca.
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Contexto
A marca abdominal do cinto indica que grande quantidade de energia foi transmitida à parede abdominal. A desaceleração comprime alças contra a coluna e traciona pontos fixos do intestino e do mesentério, produzindo contusão, perfuração ou desvascularização. As diretrizes WSES de trauma intestinal de 2022 associam o sinal do cinto a risco relevante de lesão intestinal, estimado em cerca de 12%, e recomendam investigação definitiva com tomografia em pacientes estáveis.
O FAST apresentado mostra líquido livre no espaço hepatorrenal. O exame detecta líquido, mas não identifica sua origem e tem sensibilidade limitada para lesões de víscera oca. Quando há sinal do cinto e líquido livre, sobretudo sem lesão sólida evidente, a suspeita de lesão intestinal ou mesentérica aumenta. Essa associação pode ainda integrar a chamada síndrome do cinto, com lesão intestinal e fratura por flexão da coluna lombar.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Lesões de intestino delgado, cólon e mesentério são as associações abdominais mais características do mecanismo de compressão e desaceleração marcado pelo cinto.
B) Incorreta. O pâncreas pode ser comprimido contra a coluna em trauma contuso, mas não é a associação mais frequente nem a mais típica do sinal abdominal do cinto.
C) Incorreta. Fratura pélvica decorre principalmente de transmissão de força ao anel pélvico. A equimose transversal no abdome direciona a suspeita para víscera oca, mesentério e coluna lombar.
D) Incorreta. Lesão traumática da parede abdominal pode ocorrer, inclusive hérnia traumática, mas é menos frequente e não supera a associação clássica com lesão intestinal.