Mulher, 40 anos de idade, procura o serviço de emergência com dor lombar há 3 dias e aumento da intensidade nas últimas 12h. No momento relata dor 10 em 10 e incapacidade de trabalhar. Relata múltiplos episódios prévios semelhantes em momentos de aumento da carga de trabalho. Tem obesidade (IMC de 41 kg/m2), insônia e tabagismo de 20 anos-maço. Faz uso de benzodiazepínico para dormir. Nega outras comorbidades. Ao exame físico, após analgesia, apresenta dor localizada na região lombar, com irradiação para o membro inferior direito, força motora e sensibilidade dos membros inferiores sem alterações.
Pegadinha central: fatores de cronificação não são os mesmos que sinais de alarme.
Incapacidade, crenças negativas, medo de movimento e sofrimento emocional são bandeiras amarelas.
Obesidade e tabagismo também importam, embora não sejam a resposta oficial desta questão.
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Contexto
A maioria das lombalgias agudas é inespecífica e melhora, mas alguns fatores aumentam a chance de persistência. Revisões prognósticas identificam intensidade elevada da dor, incapacidade funcional, episódios prévios, sofrimento psicológico, expectativas negativas, trabalho pesado, obesidade e tabagismo como associados à cronificação. Entre as opções, o gabarito privilegia o marcador com maior impacto imediato: dor 10 em 10 com incapacidade de trabalhar.
A avaliação deve separar sinais de alarme de fatores prognósticos. Não há déficit motor, alteração sensitiva, síndrome da cauda equina, trauma ou suspeita de infecção. Portanto, a prioridade é analgesia multimodal, manutenção de atividade tolerada, orientação para retorno precoce e identificação de barreiras à recuperação, evitando repouso prolongado e exames de imagem sem indicação.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Intensidade muito alta associada a incapacidade funcional importante é marcador consistente de maior risco de persistência e afastamento prolongado.
B) Incorreta. Obesidade também se associa a lombalgia e pior recuperação, mas a questão pede o melhor fator prognóstico apresentado, e o gabarito prioriza a incapacidade atual. A alternativa não é biologicamente irrelevante.
C) Incorreta. Tabagismo é fator associado a dor lombar persistente, porém tem menor poder discriminativo imediato que a limitação funcional intensa descrita.
D) Incorreta. Insônia pode amplificar dor e constitui fator de risco, mas o uso de benzodiazepínico não é, isoladamente, o marcador prognóstico mais direto entre as opções.