Puerpério normal e patológico

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Questão 96
USP-SP · 2026

Mulher, 32 anos de idade, sem doenças prévias, em consulta 4 semanas após nascimento de seu primeiro filho. Marido é “trabalhador, mas não tem muito jeito com o filho”. O parto foi vaginal espontâneo sem complicações. Ela relata que estava bem nos dois dias em que ficou na maternidade. Entretanto, ao voltar para casa, começou a se sentir sobrecarregada, cansada, com dificuldade para dormir e, quando o bebê dorme, ela chora. Sente que não é uma boa mãe, está sem paciência, irritada, e não sente prazer em cuidar do filho. Acredita estar com os hormônios alterados. Amamentar era seu sonho, mas diz ter pouco leite e, diferentemente do seu comportamento habitual, está com aversão à proximidade com o marido, que reclama do distanciamento. Refere estar com secreção vaginal amarelada abundante e preocupada se não estaria com um problema no útero.

Qual é a conduta indicada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O baby blues começa nos primeiros dias após o parto, apresenta labilidade emocional e choro, mas é autolimitado e costuma resolver em até duas semanas, sem anedonia persistente nem prejuízo importante do vínculo. Nesta paciente, quatro semanas de culpa, irritabilidade, insônia, perda de prazer, aversão ao contato e dificuldade de cuidar do bebê caracterizam depressão pós-parto.

Diretrizes perinatais atuais recomendam avaliar imediatamente ideação suicida, pensamentos de ferir o bebê, sintomas de mania e psicose, além de mobilizar apoio familiar e oferecer psicoterapia. Quando há indicação farmacológica durante a amamentação, sertralina é uma das escolhas preferidas por apresentar exposição muito baixa do lactente pelo leite.

A secreção vaginal amarelada no primeiro mês pode corresponder à fase final dos lóquios, especialmente sem febre, dor uterina ou odor fétido. Deve ser examinada, mas não explica o síndrome afetivo. Sinais de endometrite mudariam a investigação, porém não estão presentes no enunciado.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Passiflora incarnata não trata depressão pós-parto, e ultrassom pélvico não é exame de rotina para lóquios sem febre, dor ou sangramento anormal. A alternativa ignora o transtorno de maior risco.

B) Incorreta. Candidíase costuma causar prurido, ardor e corrimento grumoso, não apenas secreção amarelada. Além disso, sintomas persistentes por quatro semanas e anedonia ultrapassam o baby blues.

C) Incorreta. Quetiapina é considerada em transtorno bipolar, agitação grave ou psicose, achados ausentes. Convocar o marido pode integrar o apoio, mas não substitui o tratamento do episódio depressivo.

D) Correta (gabarito). Sertralina é opção apropriada, inclusive na lactação, e a orientação deve nomear a depressão pós-parto, reduzir culpa, organizar rede de apoio e estabelecer seguimento próximo.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é chamar tudo de baby blues: duração superior a duas semanas, anedonia e prejuízo funcional indicam depressão.

  • Sertralina é uma das opções de maior segurança durante amamentação.

  • Sempre rastreie suicídio, infanticídio, mania e psicose, porque esses achados transformam a urgência e o tratamento.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Puerpério normal e patológico” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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