Mulher, parda, 22 anos de idade, na segunda gestação. Moradora de município de médio porte, ensino médio incompleto. Desempregada, em união estável. Primeiro atendimento (14 semanas) quando realiza consulta de pré-natal com enfermagem. Os exames de rotina são solicitados, incluindo sorologia para sífilis (VDRL). Exame coletado, mas resultado não foi incluído no prontuário por falha na digitação do laboratório no sistema. Segundo atendimento (22 semanas): Anamnese e exame físico sem alterações. Terceiro atendimento (28 semanas): Queixa de corrimento vaginal. Solicitado novo VDRL, que retorna reagente: VDRL 1:64. Confirmado por teste rápido treponêmico (positivo). Iniciada penicilina benzatina (2,4 milhões UI IM, 3 doses com intervalo semanal). Parceiro não comparece para tratamento. Parto (38 semanas): vaginal em maternidade regional. Recém-nascido com sinais de prematuridade limítrofe, baixo peso (2.300 g) e exantema palmoplantar. Avaliação neonatal mostra VDRL reagente e anemia. Foi realizado tratamento do recém-nascido com penicilina procaína. Puérpera foi orientada a continuar o tratamento após a alta.
A pegadinha é confundir acesso com continuidade: resultado perdido e seguimento fragmentado significam falha de coordenação.
Coordenação envolve prontuário, comunicação entre pontos da rede, busca ativa, referência e contrarreferência.
Na sífilis gestacional, parceria sem tratamento aumenta reinfecção, embora não seja mais critério isolado para classificar o tratamento materno como inadequado.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Coordenação do cuidado é o atributo da Atenção Primária responsável por integrar informações, profissionais, serviços e etapas do seguimento. Ela exige que resultados solicitados sejam recuperados, registrados, interpretados e transformados em conduta, com mecanismos de busca ativa diante de exames alterados ou não visualizados.
No caso, o VDRL coletado na primeira consulta não entrou no prontuário, a infecção só foi reconhecida 14 semanas depois e não houve articulação suficiente para acompanhamento sorológico e manejo da parceria. O PCDT do Ministério da Saúde para prevenção da transmissão vertical recomenda testagem precoce, repetição no terceiro trimestre e no parto, tratamento imediato com penicilina benzatina quando indicado e seguimento documentado. O tratamento da parceria não integra a definição atual de tratamento materno adequado, mas permanece decisivo para evitar reinfecção.
A gestante conseguiu chegar à unidade, realizar consultas e coletar exames. O evento adverso decorreu principalmente da perda de informação e da descontinuidade entre laboratório, prontuário, equipe e seguimento, núcleo típico de falha de coordenação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Houve acesso à UBS, às consultas e à coleta de exames. Pode haver fragilidade no início tardio do pré-natal, mas o mecanismo diretamente demonstrado é o resultado não incorporado e não acompanhado.
B) Incorreta. Equidade significa ofertar cuidado proporcional às necessidades e vulnerabilidades. A paciente possuía vulnerabilidades sociais, mas o erro causal descrito foi a fragmentação da informação e do seguimento, não a escolha de uma oferta desigual.
C) Incorreta. Universalidade garante que todas as pessoas tenham direito de acesso às ações de saúde. Esse direito foi exercido; o problema ocorreu dentro da rede assistencial após o atendimento.
D) Correta (gabarito). Houve falha de coordenação porque o exame não foi integrado ao prontuário, não gerou intervenção oportuna e não houve articulação suficiente das ações necessárias para impedir transmissão vertical e reinfecção.